sábado, 21 de julho de 2012

Encontro improvável (guest post)

Momento do encontro entre hereges na paulista. Esquerda para a direita: Guilherme Tomyshio, Pirulla, Rony, eu e Vivian.  Foi usada uma câmera especial que captura a intensidade da malevolencia, evidenciado pela intensidade do brilho dos olhos. Nota especia para o Pirulla e para a Vivan. 




Segue abaixo um texto elaborado por meu amigo Rony Marques, relatando um encontro ocorrido entre eu, o Pirulla, o Guilherme Tomyshio, a Vivian Paixão, Rhafael Examus. Algo muito divertido que já está virando uma rotina. A pluralidade de opiniões e perspectivas é bastante revigorante e estimulante. Talvez esse seja a verdadeira força de se ter um grupo totalmente heterogênio de pessoas sob o mesmo nome, seja ele "ateus" ou "céticos" ou qualquer coisa assim. 


Claro, eu objetaria à minha representação como um bebado irremediavel, mas é uma representação   precisa o suficiente.




Rony Marques ------------------------------------------------

Fim de tarde em uma das principais avenidas de São Paulo, a Paulista. Saio do metrô em direção ao parque Trianon e vejo pessoas andando em uma desordem organizada, passando umas pelas outras, porém sem se trombarem. Passo em frente a uma banca e vejo as notícias, quase cópias umas das outras, nas primeiras páginas dos jornais.

Chego perto do bar que vai ser usado como ponto de encontro e vejo as pessoas com quem me encontrarei sentadas em uma mesa próxima a rua. Não consigo deixar de comparar a cena que vejo com a Ultima Ceia, o afresco de Da Vinci: Um cara com cabelos e barbas longas passando a seus companheiros a bebida. O primeiro a pegar a cerveja é um homem, com cara de uns 30 anos, barba escura e um olhar sarcástico e inteligente, ao mesmo tempo; este dois são Paulo Miranda (mais conhecido como Pirulla) e o Fábio Machado, o Haeckeliano, que, para quem não os conhecem, são biólogos e divulgadores da ciência na internet. Além deles, estava o Rhafael, que se identificou mais tarde como um desocupado por excelência, que na hora, respondia sem qualquer vontade um homem que fazia uma pesquisa sobre cigarros e que eu achei que fazia parte do grupo. Ao lado do Fábio estava Vivian, uma carioca, a mais tranquila deles, porém não menos louca. E, como o último apóstolo, estava Guilherme Tomishyo, um físico da UFSCar e fumante moderado, que a propósito, era o único que estava em pé, fumando. Por fim, para fechar o grupo estava o jornalista que decidiu por em palavras o que aconteceu neste encontro, conhecido por seus pais como Rony e por mim como “Eu”.

Ao me sentar na mesa, Pirulla me apresentou a todos do grupo, que me ofereceram um copo de cerveja antes de sequer perguntarem meu nome. Agradeci, peguei meu copo e me juntei a conversa, depois que o pesquisador intruso foi embora.

Se eu realmente fosse tentar transpor todas as conversas, piadas e frases filosóficas regadas a álcool que foram proferidas ou latidas na mesa do bar, teria de escrever um livro comparado em tamanho e complexibilidade a Ulisses. Por isto, irei resumir a conversa e o número de garrafas de cerveja que bebemos. Além disto, eu não me lembro de tudo o aconteceu na mesa (Não foi amnésia alcoólica, só a conversa que foi muito extensa), então não poderia reproduzir tudo, mesmo que quisesse.

Para começo de conversa discutimos a noite inteira sobre política, ciência e religião, ou seja, tudo o que não se discute em muitas outras mesas de bar. Falamos de críticos e críticas ao ateísmo (Alguém leu Conde ali?) e, também, sobre os ateus “bitolados” e com argumentos rasos. Piadinhas sobre histórias de bebedeiras uns dos outros foram contadas e mais umas três rodadas de cerveja se passaram.

No meio de um assunto, um mendigo que passava por ali, veio pedir uma Coca para nós. Chamamos o garçom e pedimos que ele trouxesse o refrigerante e coloca-se em nossa conta. Até ai, tudo bem, voltamos a nossa conversa e o mendigo começou a falar com o garçom. O problema é que o mendigo mudou de ideia e quis uma Fanta, mas o garçom se recusou a dar, pois nós tínhamos pedido uma Coca. Pronto. Foi só isso para que, sem que nós percebêssemos, uma disputa começasse do nosso lado... A briga foi ficando cada vez mais séria, até o ponto em que se tornou uma rincha entre cidades, pois cada um era de um lugar do nordeste que odiava o outro. Estramos no meio da conversa e pedimos a bendita Fanta, antes que alguém pulasse no pescoço do outro. Cinco minutos depois, vemos o mendigo indo embora, feliz da vida com sua latinha de Fanta, enquanto eu pedia desculpas ao garçom.

Mais umas quatro rodadas de cerveja e alguns bons minutos em filas para poder usar o banheiro, e a conversa entra na questão de cotas raciais, onde o Fábio, confuso pela quantidade de álcool no sangue, já não se lembra mais se é a favor ou contra. Depois de uma breve explicação dos prós e contras, feitas por Pirulla, ele faz uma cara de tanto faz e diz que só houve problema, pois as universidades não “criaram” vagas para negros e sim pegaram reservaram vagas já existentes, então o pessoal sente como se tivesse perdido uma vaga, ou ainda, um direito e por isto que houve tanta confusão. Obviamente ele disse de um jeito um pouco mais confuso e enrolado, mas achei interessante botar isto aqui. Me levanto da mesa e vou ao banheiro no meio de uma conversa sobre acústica, entre o Tomishyo e a Vivian, que é formada em letras e está fazendo uma pesquisa na área de fonoaudiologia, ou algo do gênero. Após quinze minutos em uma fila e várias tentativas, por parte dos homens da fila, de tentar usar o banheiro feminino, desisto e volto para a mesa.

Andando em direção a mesa, percebo que um pequeno grupo de mascaras e suspensórios se junta na esquina da rua, pegam um megafone e começam a discursar sobre o mal da Globo, da televisão, os comunistas, os direitistas, fim do mundo, Illuminatis e Nova Ordem Mundial, não nesta ordem. Esperava que isso acontecesse, afinal, estamos na Paulista; o problema é que o cara só falava besteira e a merda do megafone estava muito alto e eles gritavam próximos da nossa mesa. Fábio, já um pouco alterado, e eu resolvemos levantar e nos aproximar dos mascarados para ouvir o que eles berravam aos transeuntes e as outras pessoas no bar, que os ignoravam quase que por completo. Depois de mais alguns minutos, eles desistem de usar o megafone, tentam falar com algumas pessoas que passavam por ali, mas percebem o fracasso e vão para o bar e pedem algumas cervejas.

Nesta parte da noite Rafael já tinha indo embora e percebemos que já tínhamos falado de quase tudo que era possível: deus, política, sacolinhas plásticas, fim do mundo etc. Então começamos a conversar sobre histórias particulares, que mais lembravam aqueles contos fantásticos de rodas de fogueira. Cada um tinha a sua história mal contada que sempre deixou dúvidas em como aconteceu. A melhor, em minha opinião, foi uma das do Pirulla, que tinha um bom número de histórias estranhas para nos contar. Ele disse certa vez, estava dormindo com sua namorada e de repente ela acordou gritando, “Vai bater, vai bater!”. Ele acordou assustado olhou para ela e alguns segundos depois, dois carros bateram na rua ao lado. A história até que não durou muito, mas passamos uma boa uma hora tentando explicar o que aconteceu. No final, chegamos a “obvia” conclusão de que Leprechauns falaram o que iria acontecer em no ouvido dela.

Passamos então a jogar alguns jogos, como “Eu nunca”, o que rendeu um bom número de piadas, risadas, e, pelo menos, umas três ou quatro garrafas de cerveja e uns pasteizinhos. Está parte foi, talvez, a mais engraçada, pois quase todas as perguntas eram obscenas, mas todos respondiam tranquilamente. Fábio, que uma hora já não conseguia ouvir mais as perguntas ou nem lembrava se tinha ou não feito o que perguntamos, acabou bebendo em todas as rodadas, mas no final das contas ele era quem estava mais são entre todos da mesa.

Por fim, pagamos tudo (principalmente eu e o Pirulla), e saímos do bar, tentando não pagar uma única cerveja que pedimos depois, mas o pessoal ficou com certo peso na consciência e acabamos pagando com algumas moedas os três reais que faltavam.

Fomo embora em direção à consolação, onde eles me deixaram em um ponto de Ônibus em frente ao MASP e foram embora, os quatros loucos, que saíram rindo em direção a rua Augusta, para continuar a as aventuras noturnas. Ainda não sei o que eles fizeram depois que eu fui embora, mas com certeza o pessoal não lembra direito o que aconteceu naquela noite, então o breve relato sobre o encontro termina por aqui.








3 comentários:

xDD Tem Os Quatro Cavaleiros, né? O Brasil tem "Os Cinco Demônios"... xDDDD Aiai... Parece que foi uma ótima tarde! =P
PS: Dica de foto (como se eu soubesse alguma coisa)... quando tirar fotos, olhe para a lente, nunca para o flash.

Eu já estou feliz que eu não fechei os olhos, como eu sempre faço em fotos, com ou sem flash :)

Clínica de Recuperação Grupo Casoto
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